a humanidade só será LIVRE, quando o último corrupto for enforcado nas tripas do derradeiro capitalista

22 de junho de 2010

SÓCRATES FLORISTA

Num país de famintos, com os fundilhos das calças rotos e sapatos a condizer, o primeiro ministro dá-se ao luxo de contratar uma "empresa" duma tal Maria Subtil (onde já ouvimos um apelido igual), para fornecer flores à sua residência oficial. O contrato de três anos de ajuste directo ou seja sem concurso público, custa-nos ou vai-nos custar SESSENTA E TRÊS MIL EUROS, ou seja CINQUENTA E SETE EUROS/DIA. Num país em que a pensão mínima do regime geral é de 243,32€, o que dá por dia 8,11€, o primeiro ministro gasta mais em flores que um pensionista recebe para comprar e pagar as suas despesas diárias. Quanto a mim é um atentado moral, cívico e social. É uma vergonha que deve ser denunciada. Num país, em que ele Sócrates manda apertar o cinto, sobe impostos, retira benefícios sociais, e dá-se a este luxo burguês, meus amigos, este país e estes governantes não existem, esta gente não tem um pingo de dignidade. Este, é um, entre milhares de exemplos que sucedem neste país, neste sistema, onde tipos sem escrúpulos fazem o que querem, sem que ninguém os chame à responsabilidade, os parlamentares burgueses, preocupados mais com a selecção do pontapé na bola que os problemas reais do seu Povo, não nos devem merecer nenhuma credibilidade, pois nada fazem para denunciar estes atropelos à dignidade dos mais desfavorecidos.     

6 comentários:

Marreta disse...

Já tinha lido qualquer coisa sobre isto há uns tempos atrás. Para além do esbanjamento em flores (nada tenho contra as flores e a natureza, antes pelo contrário), existe a questão, quase sempre presente, do tradicional compadrio, sem o qual parece não podermos viver.
Isto só muda quando depois das eleições forem contar os votos e perceberem que o número total de eleitores corresponde ao número total de candidatos elegíveis (ou seja apenas eles votaram neles próprios), e mesmo assim é preciso cuidado, porque os mânfios são muito capazes de trafulhar a votação para lhe dar uma expressão que não teve e salvaguardar os tachos.

Saudações do Marreta.

Ferroadas disse...

Também nada tenho contra as flores nem quem ganha o seu pão diário a vende-las, o que não posso (podemos) conceber é num país de esfomeados, onde (dizem os cérebros) a bancarrota espreita, o estado que nos impõe a crise e o apertar de cinto, esbanje o nosso dinheiro desnecessariamente.

Abraço

Cirrus disse...

Nem tanto ao mar nem tanto à serra... É certo que o ajuste directo é sempre coisa interessante, é certo que é dinheiro. O cargo exige algumas destas dignificações. Antes soubesse ele exercê-lo, e ninguém repararia nas flores que lá tem. A questão não está em esbanjar dinheiro em flores, e basta lembrar o que se paga por uma decoração de flores numa igreja em dia de casamento. Nunca vi ninguém oferecer esse dinheiro para os pensionistas deste país.
A questão está na sistemática inabilidade para fazer política (administração da coisa pública) por parte dos nossos supostos políticos. E antes, a sua famosa capacidade para encher os bolsos próprios e de amigos. Quantas flores destas, por quantos anos, um único prémio do Rui Pedro Soares, pagaria?
Olhemos pois as questões essenciais, como esse sinal de perigo iminente sobre a cabeça de todos nós que é a união das federações patronais logo a seguir ao "Salvador da Pátria" ter chegado à cabeça do seu partido, um clone do partido do poder, que tem um clone do Salvador como PM. Isso preocupa. As flores... é pormenor, que perante o saque a que estamos sujeitos, e perante o que está para vir, pelo menos deu trabalho a algumas pessoas. É que valores mais altos se levantam. É que... Eles andem aí...

Ferroadas disse...

Cirrus
Claro que isto não é o mais importante, num enorme universo de dinheiro mal gasto, 63 mil euros em flores é uma gota de água. No post quis dizer a mágoa que sinto pelo facto de se esbanjar dinheiro em coisa supérflua (penso que não é por existirem ou não flores que se governa bem) em época em que estes mesmos gastadores nos mandam fazer sacrifícios. Comprem as flores que quiserem, façam os TGV's que quiserem, as novas travessias do tejo que entenderem, auto-estradas de porta a porta, façam isso tudo, mas primeiro tratem dos problemas reais e concretos do país, acabem com o desemprego, a precariedade, a fome (ela existe e anda por ai), a corrupção, o compadrio, a chulice, enfim construam um país melhor, e depois sim, comprem as flores que bem entenderem. Esta situação (das flores e outras) faz-me lembrar aquele tipo que passa fome de bicho, não toma banho à um ano, tem os fundilhos das calças rotos, mas tem à porta um Ferrari.

Abraço

Karocha disse...

Ferroadas

O que se barricou?

Cirrus disse...

É evidente que não estou de acordo com gastos supérfluos. Mas há de facto uma capacidade inata nesta gente para o roubo de igreja - basta ver a empresa que vai fabricar os chips das suts - e penso que essa deve ser a nossa prioridade. Principalmente quando acções destas vão conduzir ao governo desta nação um novo Salazar com carinha de anjinho...