a humanidade só será LIVRE, quando o último corrupto for enforcado nas tripas do derradeiro capitalista

17 de julho de 2014

VAMOS LÁ FAZER FILHOS


Fico deveras admirado quando uma chusma de doutores (psicólogos/as, educadores/as, políticos, professores/as, etc.) vêm ultimamente botar faladura em assuntos que, pensam eles, resolvem o problema da baixa (baixíssima) natalidade no burgo. Até os incompetentes governamentais, vêm a lume com soluções que quanto a mim, é só palavreado teórico sem resultados práticos.

Ainda não ouvi nenhum deste salafrários apontar a solução mais óbvia de todas - TRABALHO COM SALÁRIO DIGNO.

Pergunto: 
Como quer esta gente que as pessoas (nomeadamente os jovens) façam filhos, se a maioria está desempregada e/ou é obrigada a imigrar? Como quer esta gente que um jovem precário constitua família, se o que o explorador do patrão lhe paga são 300€/mês?

Claro, isto é tão simples como 1+1 ser 2, ponham o país a produzir a sério, pagar ao trabalhador salário digno, construir creches com condições e gratuitas, medicamentos gratuitos para a criança até aos 12 anos, livros e materiais escolares gratuitos até ao 12º ano, transportes escolares gratuitos, etc..

Mais uma vez, o problema está na falta de perspectivas de futuro para os jovens, e não são incentivos de natureza fiscal, com umas reduções de treta, que fazem a juventude procriar.

Claro que isto só aconteceria se não vivêssemos numa sociedade capitalista, opressora, injusta, exploradora e incapaz.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nas sociedades menos desenvolvidas a natalidade é muito alta enquanto que nas mais desenvolvidas se passa o contrário, é baixa, mas a população dos países mais desenvolvidos é mantida (ou aumentada) por vagas de imigrantes que chegam constantemente, vindas dos países menos desenvolvidos que não lhes podem oferecer condições de vida dignas para um ser humano. Há emigrantes que fogem de guerras nos países de origem.
Portugal é considerado um país desenvolvido e já recebeu vagas de imigrantes há poucos anos atrás que ajudaram a subir a sua natalidade, porém, com a degradação das condições de vida no país, voltou a ser um país de emigrantes em vez de imigrantes, por isso, ao mesmo tempo que a sua população ativa e em idade de procriar emigra a natalidade reduz-se inevitavelmente.

No caso de Portugal há ainda outro drama: como os jovens não conseguem arranjar um emprego no final dos longos anos de escola, apesar de em muitos casos terem atingido uma formação elevada, não podem pensar em tornar-se independentes dos progenitores, criar uma nova família, arranjar uma casa e muito menos ter filhos, por isso fazem como qualquer animal em cativeiro: sem condições não se reproduzem. Alguns emigram então em busca de um país onde possam realizar os seus sonhos e vão procriar algures fora deste país, porque em sociedades saudáveis as crianças aparecem automaticamente sem necessidades de complicados esquemas de apoio à natalidade. Quanto aos outros jovens que não emigram porque ou não têm formação que lhes permita singrar lá fora ou porque não o desejam, alguns, poucos, acabam por conseguir empregos precários e mal remunerados para um país em que o custo de vida é tão alto, continuando em casa dos pais sem conseguir a sua independência financeira. Ainda assim, alguns desses conseguem criar a sua própria família quando a idade já anda pelos 30 anos, embora não tenham uma solidez económica e financeira que lhes permita pensar em ter uma grande prole porque os rendimentos continuam baixos mas as despesas aumentam sempre, por isso ficam-se por um filho ou dois no máximo. Eis porque a natalidade está tão baixa em Portugal. Não se pode esperar que uma sociedade doente como a nossa, em que as pessoas vêm reduzida a sua qualidade de vida (e a dos seus descendentes) tenha aumentos de natalidade. Foi imoral acabar-se com os abonos de família para a generalidade dos pais portugueses.
Não se pode querer aumentar a natalidade de forma artificial sem melhorar o nível de vida dos portugueses; a não ser que se criem duas estirpes de cidadãos: uma de “obreiros”, mal pagos mas que pagam altos impostos para a outra estirpe, a dos “procriadores”, que recebem altos subsídios mas pagos apenas a quem tem muitos filhos. Uma sociedade assim faz-me lembrar a das abelhas ou das formigas. Já estamos quase lá!

Zé da Burra o Alentejano
zedaburra@sapo.pt