a humanidade só será LIVRE, quando o último corrupto for enforcado nas tripas do derradeiro capitalista

4 de março de 2011

OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE - PARTE II

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Contrariamente ao que muitos pensam, os paraísos fiscais não servem só para branquear o dinheiro da corrupção, servem sobretudo para as grandes empresas multinacionais e os bancos fugiram aos impostos e garantirem o sigilo bancário absoluto.

Para compreender melhor o seu mecanismo, siga a viagem das bananas...

Uma empresa compra um quilo de bananas a um produtor da América Latina por 13 cêntimos Desses 13 cêntimos 12 vão para a produção e a mão-de-obra, sendo que apenas 1 cêntimo é o benefício, só este ultimo é que está sujeito ao imposto. Essa empresa "vende" o seu quilo de bananas a uma filial com sede num paraíso fiscal, sendo as suas actividades comandadas na realidade na Europa pela empresa-mãe.
Assim ao custo inicial de 13 cêntimos vão ser somados sucessivamente em vários paraísos fiscais: 8 cêntimos de despesas de compra nas Ilhas Caimão, 8 cêntimos de despesas de serviços financeiros no Luxemburgo, 4 cêntimos de direitos de utilização da marca na Irlanda, 4 cêntimos de despesas de seguro na Ilha de Man, 17 cêntimos de despesas de distribuição nas Bermudas e 6 cêntimos de despesas jurídicas e de managment na Ilha de Jersey. Todos estes territórios estão isentos de imposto para as actividades citadas.
O nosso quilo de bananas passou de 13 cêntimos para 60 cêntimos Estes 47 cêntimos acrescentados estão livres de imposto e entretanto o preço final teve um aumento de 460%. Os benefícios ficam portanto nos paraísos fiscais e a Ilha de Jersey torna-se assim o maior exportador de bananas para a Europa, sem nunca ter visto passar uma única banana.
As maiores empresas de venda de bananas, Dole, Chiquita e Fresh del Monte, tiveram um lucro de 1,4 mil milhões de Dólares nos últimos cinco anos, no entanto apenas pagaram 200 milhões de Dólares de imposto, o seja 14%, quando o imposto nos Estados Unidos onde têm as suas sedes é de 35%. Isto só é possível porque, como vimos, possuem numerosas filiais em vários paraísos fiscais que lhes permitem a fuga aos impostos.
O mesmo se passa com a maioria das grandes multinacionais, incluído os bancos. Os benefícios são transferidos para as filiais dos paraísos fiscais livres de impostos, enquanto os custos são registados nos países de origem.

Um "problema" que ninguém está interessado em resolver...

Os offshores representam um problema bem real, dado que representam uma perda de dinheiro para os países de origem dessas empresas, sendo o consumidor final e as PME prejudicados com o aumento dos impostos para compensar as perdas.
Nestes paraísos fiscais, o branqueamento de dinheiro do crime organizado e da corrupção representa 35%, os 65% restantes são devidos a esta fraude fiscal praticada pelas multinacionais. Não é pois de estranhar que estes paraísos fiscais tenham passado de 25 nos anos 1970 para mais de 70 actualmente.
Mais de metade do comércio internacional e dos fluxos financeiros são actualmente engolidos pelos paraísos fiscais. Assim, mais de um terço das empresas inglesas não pagam imposto e nos Estados Unidos são cerca de metade.
A pequena Ilha de Jersey, com 90 000 habitantes possui 512 mil milhões de Euros distribuídos por 47 sucursais dos maiores bancos mundiais.
Em Setembro do ano passado, em plena crise financeira, durante a reunião do G20, foi afirmado que os paraísos fiscais eram inaceitáveis e que iriam acabar. Desde então nunca mais se falou do assunto. Foi imposto, para simular que existe agora alguma transparência, que os paraísos fiscais deveriam assinar, cada um, doze convenções fiscais com outros países. Das convenções assinadas, 30% são com outros paraísos fiscais!

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